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Gestão de obsolescência industrial: como evitar paradas e modernizar sistemas de automação

A gestão de obsolescência industrial tornou-se um tema crítico para indústrias no Brasil e, especialmente, em polos industriais consolidados como Santa Catarina, onde a continuidade operacional é fator estratégico de competitividade.


Empresas dos setores metalmecânico, alimentício, têxtil, papel e celulose, plástico e máquinas especiais enfrentam um problema crescente: CLPs descontinuados, IHMs sem suporte, inversores fora de linha e dificuldade de reposição de componentes eletrônicos.


Se não houver planejamento estruturado, a obsolescência pode gerar: paradas não programadas, aumento de custos corretivos, risco à segurança operacional, perda de produtividade, dependência de peças usadas ou mercado paralelo.


Neste artigo, abordamos como estruturar uma estratégia técnica de mitigação de obsolescência, alinhada às normas internacionais e à realidade industrial catarinense.

O que é obsolescência em sistemas de automação?

Obsolescência ocorre quando um componente ou sistema deixa de ser fabricado, perde suporte técnico ou se torna incompatível com tecnologias atuais. Em automação industrial, isso afeta diretamente:


  • Controladores Lógicos Programáveis (CLPs)
  • IHMs e sistemas supervisórios
  • Drives e servodrives
  • Módulos de I/O
  • Fontes industriais
  • Redes industriais e switches


Nos polos industriais de Santa Catarina, é comum encontrar máquinas com 15–25 anos de operação ainda dependentes de tecnologias já descontinuadas. Em mais de 80% das gestões de manutenção tratam a obsolescência de forma reativa, gerando custos de manutenção muito maiores do que se tratados de forma estratégica.

Por que a gestão de obsolescência é estratégica?

A gestão estruturada permite transformar um problema reativo em planejamento estratégico de ativos. O polo industrial catarinense é muito capacitado em corpo técnico, fornecedores competitivos e especialistas para prover benefícios:


  • Redução de paradas emergenciais
  • Planejamento de CAPEX com antecedência
  • Melhor negociação com fornecedores
  • Modernização gradual sem impacto na produção
  • Aumento da confiabilidade operacional

Base normativa IEC 62402: gestão de obsolescência

A principal referência internacional é a IEC 62402, que estabelece diretrizes formais para:


  • Desenvolvimento de política de obsolescência
  • Criação de Plano de Gestão de Obsolescência (OMP)
  • Avaliação de risco técnico e logístico
  • Estratégias de mitigação
  • Monitoramento contínuo


Ela é amplamente aplicada em setores de alta criticidade (energia, transporte, processos contínuos), mas seus princípios são totalmente aplicáveis à indústria brasileira de manufatura, naturalmente usufruindo dos mesmos benefícios.


Além da IEC 62402, recomenda-se alinhamento com:


  • IEC 60300 – Gestão da confiabilidade
  • IEC 61508 – Segurança funcional
  • ABNT NBR IEC 60204-1 – Segurança em equipamentos elétricos de máquinas


A modernização por obsolescência é oportunidade para adequação normativa e redução significativa de riscos técnicos. Além da menor probabilidade de falha, equipamentos atualizados provêm maior disponibilidade, segurança e confiabilidade.

Estratégias práticas para mitigar obsolescência industrial

Aplicar a IEC 62402 pode ser feita de forma gradual e até de forma informal, pois em suma a metodologia se resume à mapeamento, análise, planejamento e execução, confira a seguir:


Mapeamento de ativos críticos


Criar um inventário técnico completo contendo:


  • Modelo e fabricante
  • Ano de instalação
  • Status de fabricação
  • Disponibilidade de peças
  • Impacto na produção


Esta base facilita muito a implementação de uma estratégia de renovação.


Matriz de risco (probabilidade x impacto)


Componentes devem ser classificados conforme:


  • Probabilidade de descontinuação
  • Impacto na produção
  • Tempo médio de reposição
  • Existência de substitutos


Retrofit e modernização de máquinas em Santa Catarina


Quando múltiplos componentes estão obsoletos, o retrofit de máquinas industriais pode ser mais eficiente do que substituições isoladas. Em Santa Catarina, muitas indústrias optam atacar os equipamentos mais críticos:


  • Atualização de CLP obsoleto
  • Migração de redes proprietárias para EtherCAT, Ethernet/IP ou PROFINET
  • Substituição de IHMs antigas por plataformas abertas (baseadas em Web browser)
  • Modernização de painéis elétricos conforme normas atuais


Isso aumenta a vida útil do equipamento, conformidade e melhora integração com sistemas modernos (MES, BI, rastreabilidade).


Planejamento de upgrade faseado


Evita grandes paradas produtivas e permite distribuir investimento ao longo do tempo. É especialmente importante para:


  • Indústrias com operação 24/7
  • Plantas com equipamentos customizados
  • Processos contínuos

Conclusão

Indústrias de Santa Catarina e do Brasil que já tratam a obsolescência como parte da estratégia de manutenção e engenharia estão aumentando sua competitividade, previsibilidade financeira e confiabilidade operacional. A abordagem fundamentada comprova: inventário técnico estruturado, avaliação de risco, planejamento de retrofit, alinhamento com normas internacionais e execução técnica especializada.


A obsolescência é um desafio inevitável em um mundo tecnológico dinâmico e não deve ser tratado como uma crise. Com uma abordagem estruturada, apoiada em avaliação de riscos, estratégias de mitigação bem definidas e parcerias especializadas, sua organização pode transformar a obsolescência de um problema reativo para um processo de gestão contínuo e controlado.

Reduzir riscos operacionais faz parte de sua realidade?